quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pobre trabalha 197 dias para pagar impostos contra os 106 do rico

As famílias pobres têm que trabalhar quase o dobro das famílias mais ricas para arcar com os impostos cobrados no Brasil. O diagnóstico é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que calcula que, enquanto famílias com renda mensal de até dois salários mínimos (R$ 930) despendem 197 dias do ano só para pagar tributos, as famílias com renda superior a 30 salários mínimos (R$ 13.950), levam 106 dias para saldar as obrigações com o Fisco. Na média, o brasileiro gasta 132 dias de trabalho por ano só para pagar impostos.O levantamento concluiu que os 10% mais pobres do país destinam 32,8% da sua renda para o pagamento de impostos, enquanto os 10% mais ricos gastam 22,7%. “Quem tem mais dinheiro paga menos impostos”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, que divulgou o estudo, que classifica a situação como “iníqua”.O Ipea apontou ainda que as famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos têm que trabalhar mais que a média do país para pagar impostos. Enquanto a média geral de dias trabalhados para honrar tributos é de 132 dias por ano, famílias com renda de dois a três salários têm que trabalhar 153 dias, e aquelas com ganhos de três a cinco salários gastam 137 dias. Na faixa de renda de cinco a seis salários mínimos começa o refresco em relação à média, com 129 dias para arcar com a carga tributária.De acordo com Pochmann, a explicação para a maior tributação das famílias mais pobres reside na existência de tributos indiretos, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados e repassado para os preços, além de outros encargos federais e municipais com o mesmo efeito. Na prática, o consumidor mais pobre acaba pagando impostos embutidos em tudo o que consome, ainda que não esteja sujeito à tributação direta da renda.O advogado tributarista Gabriel Prado considera que a distorção na tributação é resultado da má distribuição de renda. “O Estado não tem como se financiar só com a classe média”, analisa. Então, ele vai em cima de quem tem menos.”O advogado reforça que o resultado encontrado pelo Ipea reflete a desigualdade de renda do país. Para ele, a menor capacidade de poupança dos mais pobres, que destinam quase toda a renda para o consumo de itens básicos, acabaria exigindo um esforço maior para o pagamento de impostos, na comparação com os mais ricos.

Um comentário: