Estacionar nas vias públicas da capital maranhense está se transformando em uma tarefa cada vez mais difícil. Os ditos donos das ruas, que consumaram uma verdadeira indústria de flanelinhas na cidade, ditam suas próprias regras, onde só eles têm razão. Para os motoristas, que precisam parar seus veículos, resta acatar ou, caso contrário, ficarem expostos a ameaças e prejuízos de todos os tipos. Apesar do problema ser conhecido por todos, não existe um órgão que, de fato, fiscalize a ação.
A Secretaria de Segurança Pública, através da Polícia Militar, afirma que a “atividade” por si só não se configura um ato de infração de natureza criminosa que caiba intervenção da polícia.
Enquanto isso, os guardadores ilegais se multiplicam. Nas praias, por exemplo, o ato pode ser facilmente percebido e curiosamente o valor cobrado pelos “clandestinos” chega a ser maior do que pelos associados ao Sindicato dos Guardadores de Carro habilitados para trabalhar. Os guardadores cadastrados que atuam nas Zonas Azuis, até que cobram preços razoáveis, já os “flanelinhas” não permitem a utilização do espaço público sem que se enquadre em sua tabela particular, com a exigência de pagamento adiantado e nenhuma garantia de encontrá-los na volta ao local.
A situação, no entanto, tem desagradado aos proprietários de automóveis. “É inadmissível ser coagido a pagar para estacionar em um local público. E o pior, não termos a quem recorrer”, desabafou o empresário José Souza, ressaltando que já teve seu carro arranhado por se negar a pagar antecipadamente a um flanelinha. Assim como ele, a administradora de empresas, Tatiana Moraes, se diz coagida constantemente por esse tipo de atitude.
“Trabalho no Centro da cidade e não há um dia sequer que não seja abordada por falsos guardadores de carro. Se chegar mais tarde um pouco tenho que pagar R$ 2 por hora, ou seja, R$ 14 por dia. Não me conformo com isso. Afinal, não se trata de um espaço privado”, indignou-se.
