Ainda atemorizados pela explosão ocorrida no último domingo (23), os moradores do bairro Fumacê (área Itaqui-Bacanga), continuam com medo de que uma nova explosão venha a acontecer trazendo conseqüências catastróficas para as mais de 400 famílias que moram no entorno da empresa.
Para averiguar de perto a situação, estive no bairro, acompanhando de perto uma manifestação feita por moradores que cobravam da empresa Liquigás explicações sobre o acontecido e ainda cobrar providências no sentido de garantir a tranqüilidade da população quanto ao perigo de novas explosões.
Segundo o militar Fernando Machado Neves, que mora na área e viu a explosão, o fogo alcançava cerca de 15m de altura. “Isto foi algo nunca visto aqui, essa explosão de dois botijões de gás no setor de triagem por muito pouco não provocou uma tragédia na área, evolvendo não só os funcionários que pudessem estar no local, mas também todos nós que moramos no entorno da empresa”, declarou.
Já para o líder comunitário, José Ribamar Soares, o’Zé do Chiclete’, o medo continua, pois os moradores não só do Fumacê, mas de diversos bairros da região continuam muito assustados.
‘Zé do Chiclete’ disse que o teor maior é sentido pelos moradores da Rua Entroncamento, no Fumacê, que fica logo abaixo da distribuidora. “Nós sempre tememos que acidentes como este pudessem acontecer, foi horrível ver pessoas desesperadas saindo de casa correndo no meio da noite, com medo de que tudo fosse pelos ares com a explosão, tem gente aqui que não consegue ainda dormir direito. Foi Deus quem nos livrou de uma tragédia, pois se nós dependêssemos da segurança da empresa e do corpo de bombeiros não teria ninguém vivo aqui", ressaltou.
Perigo constante – A promotora de Justiça Lítia Cavalcanti, titular da 15ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos do Consumidor, afirmou que a 'pequena' proporção que o incêndio alcançou foi um golpe de sorte. Lítia Cavalcanti declarou que a falta de fiscalização preventiva por parte do Grupamento de Atividades Técnicas (GAT), do Corpo de Bombeiros, pode ter colaborado para o incidente.
Segundo a promotora, há uma série de fatores que podem ter contribuído para o incêndio; entre eles, negligência e irresponsabilidade, uma vez que a empresa distribuidora de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) Liquigás, da Petrobras, já responde a outros inquéritos.
Tragédia anunciada – Após solicitar a perícia do Icrim no local do acidente. A promotora Lítia Calvalcanti alertou que o incêndio poderia ter tomado proporções catastróficas, uma vez que o gás vem do Porto do Itaqui por meio de dutos subterrâneos. "Boa parte da área Itaqui-Bacanga poderia ter se tornado apenas uma grande cratera e muitas pessoas poderiam ter morrido. O problema é que essas empresas acham que estão vendendo bombom em vez de gás e não se conscientizam do risco que esse produto pode trazer à vida se não for armazenado e revendido com responsabilidade. Essa explosão foi apenas um aviso; há dois meses venho batendo nessa tecla. Pode ser que da próxima vez a sorte não possa ajudar", declarou.
O blog tentou manter contato com a direção da Liquigás, mas no primeiro contato um vigilante da recepção alegou que a diretoria estaria em reunião sem hora pra terminar, foi quando nossa equipe ligou para o telefone 3878 8403 e conseguiu falar com o gerente da empresa, de nome Leonardo, que sem saber do primeiro contato na portaria confirmou que não estava em reunião, mas preferiu não responder se a mentira do vigilante para a imprensa teria sido induzida pela gerência ou uma ação isolada do próprio vigilante.

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